Número de transplantes feitos na região cai quase 75% e fila por espera aumenta

Escrito por em 23/11/2021

O número de transplantes realizados no Sul de Minas tem caído a cada ano. A pandemia da covid-19 impactou nas doações e já reflete na fila de pacientes de precisam de órgãos, o que tem causado preocupação entre profissionais da saúde e pacientes que precisam das doações.

Segundo José Renato de Melo, médico e coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) Sul de Minas, a pandemia da Covid-19 impactou muito nas doações.

“Os hospitais estavam todos voltados para atender pacientes com Covid-19, as mais diversas alas do hospital foram todas disponibilizadas para atender pacientes de Covid-19, as UTI’s estavam todas lotadas. Então houve certa redução da oferta de órgãos, de diagnóstico”, disse o médico.

De janeiro a setembro de 2019 foram realizados 94 transplantes na região; no mesmo período em 2020 foram 46 reposições de órgãos, e entre os mesmos meses em 2021 foram 24 transplantes. Sendo assim, a comparação entre 2019 e 2021 apresenta uma queda de 75%.

“A situação da Covid-19 teve impacto nas famílias, porque houve uma demora no encerramento do protocolo, tendo em vista que os doadores de órgãos, a medida que o protocolo estava encerrado, exigia-se o exame de Covid-19, que demorava um pouco mais. Então foi uma série de circunstâncias que levaram a queda de transplantes”, completou o médico.

Considera-se como potencial doador todo paciente em morte encefálica. A perda completa e irreversível das funções encefálicas, definida pela cessação das atividades corticais e de tronco encefálico, caracteriza a morte encefálica e, portanto, a morte do indivíduo. O coração permanece batendo por pouco tempo e é neste período que os órgãos podem ser utilizados para transplante.

Após o diagnóstico de morte encefálica, a família é consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. Essa conversa, geralmente, é realizada pelo próprio médico do paciente, pelo médico da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou pelos membros da equipe de captação, que prestam todas as informações que a família necessitar.

“A estratégia fundamental que continua sendo a principal orientação é em relação às famílias, porque no processo de doação de órgãos, a partir do momento que a gente tem um diagnóstico de morte encefálica, é a família que vai decidir se vai haver a doação ou não”, disse o médico.

As principais causas de morte encefálica são: acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico) – “derrame”; traumatismo crânio-encefálico; tumores intracranianos; encefalopatia anóxica (falta de oxigênio). Após o diagnóstico de morte encefálica, as Organizações de Procura de Órgãos e Tecidos (OPOs) devem ser acionadas.


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